domingo, 20 de junho de 2010

Ser Guia 24 horas por dia... e para sempre!

"Ser Guia nos dias de hoje não é tarefa fácil! Muitas pessoas nos questionam sobre o que é ser guia, sobre quais as actividades que realizamos nas reuniões, sobre o motivo de sermos apenas raparigas, ou mesmo sobre os benefícios que isso traz para qualquer uma que opte por sê-lo. No fundo, procuram entender o sentido da nossa associação existir num mundo com tanta oferta de actividades... com tanta escolha e tão diversificada.

As respostas podem ser muitas... Posso dizer que na nossa associação formamos raparigas para serem melhores cidadãs e mais responsáveis, posso referir que aprendemos a crescer em grupo, que acampamos, que construímos, que vendemos bolinhos para de algum modo ajudar crianças noutra parte do globo, que cantamos à volta de uma fogueira, que jogamos, que andamos quilómetros...

Mas não é simples fazer com que os outros entendam onde está a utilidade, ou mesmo o divertimento, de cozinhar numa fogueira, quando há fogão a gás, de utilizar uma bússola quando há o GPS, de alertar ou chamar alguém com um apito, quando há telemóveis e de usar nós nas construções, quando há pregos para as manter seguras!

De facto é mais complicado de explicar do que pode inicialmente parecer... e talvez só mesmo quem pertenceu, ou pertence à nossa associação, compreenda plenamente o significado de ser guia, 100 anos depois de tudo ter começado.

É verdade que ser guia ocupa parte do nosso tempo e disponibilidade e que com o avançar da idade há muito mais para gerir para se continuar a pertencer à associação. Surgem então as questões: "ser guia é abdicar de outras coisas mais importantes na vida? É ocupar o tempo com actividades que não trarão contributos para a vida diária, para o sucesso escolar, para a realização profissional?"
A única resposta que me ocorre é que definitivamente não! Claro que implica darmos muito de nós, mas acima de tudo pertencer às guias dá-nos ainda mais! A pessoa que cada uma de nós é, é a pessoa que aprendeu a ser nas guias e isso está em pequenos detalhes do dia-a-dia!

Crescer nas guias é saber respeitar o outro, saber ouvir e saber partilhar. É não se incomodar de sentar no chão, quando não há cadeiras suficientes para todos, é usar a criatividade e resolver uma situação sem aparente solução, é não desanimar quando há semanas de testes na escola, pois numa caminhada com sol escaldante e com montes e vales, lá vem o momento em que chega o rio e uma banho refrescante! É ajudar os outros, seja com géneros alimentares, roupa ou com uma palavra amiga, é cantar as janeiras e angariar dinheiro, mesmo sabendo que sozinha talvez não tivesse coragem!

E mesmo que a guia tenha de dizer aos outros, todos os dias da vida, o que são as guias, di-lo com um sorriso na cara e orgulho! Porque está a partilhar com os outros aquilo que a torna única e o que a faz crescer... Não se é guia em part-time, é-se 24h por dia... e para sempre!
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Publicado no Jornal Almonda, nº, em de de 2010

domingo, 13 de junho de 2010

BP nos dias de hoje

"Fará sentido nos dias de hoje a existência de associações baseadas em princípios deixados por Baden-Powell (B.P.) há mais de cem anos atrás, como são o Guidismo e o Escutismo?
Fará sentido, na era em que quase qualquer resposta nos pode chegar através de um click, e que o ar condicionado nos permite escolher a estação do ano que queremos em nossa casa, acampar dias a fio sujeitas às condições atmosféricas e até, construir com o que nos rodeia aquilo que será a nossa casa enquanto ali estivermos: a nossa mesa, lava-loiças, guarda-roupa (porta-mochilas neste caso), e até casa-de-banho?

Milhares de Guias em todo o mundo, que este ano festejam os 100 anos da associação mundial, respondem que SIM com orgulho. E tal como elas, os seus familiares e amigos que as viram crescer no seio da associação, trocar de lenço, alargar horizontes e fazer outras crescer. E tal como eles, quem convive no seu dia-a-dia com uma Guia e percebe que esta marca a diferença.

E que características do movimento são, nos dias de hoje, uma mais-valia para as crianças e jovens? Seguem-se as nossas 4 constantes:

Sistema de patrulhas. Patrulha é o grupo em que cada Guia se insere, com o qual divide todas as tarefas. Juntas ultrapassam etapas, conquistam provas. Cada uma tem um talento, uma personalidade, uma responsabilidade, e todas juntas contribuem para o avanço do grupo;

Vida ao Ar Livre. Só em convívio com a Natureza pomos à prova os nossos limites, aprendemos a vencer certos medos, e o espírito de entreajuda é fortalecido. A ausência de alguns confortos de todos os dias ajuda-nos a descobrir novas capacidades e a perceber que com cordas, madeira, e alguma técnica conseguimos ser engenheiras da nossa própria casa por uns dias…

Progressão. É ultrapassando várias etapas e conquistando várias provas que uma Guia progride na Associação. E este caminho é feito através da pedagogia do jogo: "aprendemos experimentando" num espaço lúdico e informal, em que não há notas para atingir ou horários todos os dias da semana, mas onde as provas ultrapassadas nos ajudam a conhecer os nossos próprios talentos e a crescer.

Compromisso. Esta é uma palavra pesada nos dias de hoje, de correrias e ligações efémeras, mas qualquer Guia tem de saber o seu significado. Compromisso consigo própria e com as suas escolhas, com a patrulha em que está inserida, com o Guidismo;

Apesar da importante acção social desenvolvida pelas Guias em várias campanhas, é assim que mais contribuímos para a construção de uma melhor sociedade, ao ajudar a formar o carácter de cada Guia, pois o seu crescimento pessoal reflecte-se em toda a sua esfera de acção...na família que irá construir, na sua atitude na escola, no trabalho...em todo o projecto de vida que se propõe seguir. Ao partilhá-lo com os outros e ao comunicar a sua alegria de viver, em jeito de convite, cada Guia cumpre a frase que nos deixou o nosso fundador “Deixai o mundo um pouco melhor do que o encontrastes”.

Para ir acompanhando esta e mais histórias e saber mais sobre as Guias em Torres Novas consulte o nosso blog: guiasdetorresnovas.blogspot.com.
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Publicado no Jornal Almonda, nº, em de de 2010

sábado, 5 de junho de 2010

De nada serve estar parada...

"Nunca a ouvi dizer “Não vamos conseguir”. Nunca lhe vi um sinal de desânimo perante uma dificuldade. Nunca a vi desistir, nem com a pressão do tempo, nem com o calor abrasador de uma tarde de Verão perante um trilho a percorrer, nem quando todos nos viram as costas. E foi provavelmente essa a maior lição que aprendi com ela e com o Guidismo.

Perante uma dificuldade a Irmã Stella sorria. É preciso ajuda? Pede-se porque alguém há-de ter bom coração. Há um imprevisto de última hora? Vamos já fintá-lo e mostrar que a criatividade não tem limites. O tempo corre? Confia, que quando juntamos o amor pelas coisas e a capacidade de organização os dias esticam.

Perante uma dificuldade Baden Powell sorria. Era ele quem dizia “Quando algo te parecer impossível, experimenta dar um pontapé no “im”. O que fica? A palavra possível, tudo é possível. Era ele também quem dizia “De nada serve estar parado. Não há alternativa: é o progresso ou a inércia. Avancemos e com um sorriso no rosto”

Que maior lição podemos querer para a nossa vida que não esta?

Hoje o tempo corre mais que nunca e nunca temos tempo para nada. Hoje vivemos preocupados com a crise e achamos que o dinheiro nunca chega para nada. Hoje os vizinhos não se conhecem e a ajuda de um desconhecido não é de confiança.

E então? De que serve estar parada?

Tu podes ser exemplo do progresso: mostrando que os teus afazeres não te impossibilitam de ter tempo para ajudar o Próximo; que quando estás acampada a natureza e a tua capacidade de adaptação valem mais que o dinheiro; e que para ti o mundo só faz sentido porque podes partilhá-lo com quem te rodeia.

És capaz? Então avança. E com um sorriso no rosto.




Para ir acompanhando esta e mais histórias e saber mais sobre as Guias em Torres Novas consulte o nosso blog: guiasdetorresnovas.blogspot.com."


Publicado no Jornal Almonda, nº, em de de 2010