As respostas podem ser muitas... Posso dizer que na nossa associação formamos raparigas para serem melhores cidadãs e mais responsáveis, posso referir que aprendemos a crescer em grupo, que acampamos, que construímos, que vendemos bolinhos para de algum modo ajudar crianças noutra parte do globo, que cantamos à volta de uma fogueira, que jogamos, que andamos quilómetros...
Mas não é simples fazer com que os outros entendam onde está a utilidade, ou mesmo o divertimento, de cozinhar numa fogueira, quando há fogão a gás, de utilizar uma bússola quando há o GPS, de alertar ou chamar alguém com um apito, quando há telemóveis e de usar nós nas construções, quando há pregos para as manter seguras!
De facto é mais complicado de explicar do que pode inicialmente parecer... e talvez só mesmo quem pertenceu, ou pertence à nossa associação, compreenda plenamente o significado de ser guia, 100 anos depois de tudo ter começado.
É verdade que ser guia ocupa parte do nosso tempo e disponibilidade e que com o avançar da idade há muito mais para gerir para se continuar a pertencer à associação. Surgem então as questões: "ser guia é abdicar de outras coisas mais importantes na vida? É ocupar o tempo com actividades que não trarão contributos para a vida diária, para o sucesso escolar, para a realização profissional?"
A única resposta que me ocorre é que definitivamente não! Claro que implica darmos muito de nós, mas acima de tudo pertencer às guias dá-nos ainda mais! A pessoa que cada uma de nós é, é a pessoa que aprendeu a ser nas guias e isso está em pequenos detalhes do dia-a-dia!
Crescer nas guias é saber respeitar o outro, saber ouvir e saber partilhar. É não se incomodar de sentar no chão, quando não há cadeiras suficientes para todos, é usar a criatividade e resolver uma situação sem aparente solução, é não desanimar quando há semanas de testes na escola, pois numa caminhada com sol escaldante e com montes e vales, lá vem o momento em que chega o rio e uma banho refrescante! É ajudar os outros, seja com géneros alimentares, roupa ou com uma palavra amiga, é cantar as janeiras e angariar dinheiro, mesmo sabendo que sozinha talvez não tivesse coragem!
E mesmo que a guia tenha de dizer aos outros, todos os dias da vida, o que são as guias, di-lo com um sorriso na cara e orgulho! Porque está a partilhar com os outros aquilo que a torna única e o que a faz crescer... Não se é guia em part-time, é-se 24h por dia... e para sempre!"
Publicado no Jornal Almonda, nº, em de de 2010
